By Milton Lima 18-02-2026
Alguns segundos e muitas coisas passam pela
mente. O estado presente que não temos controle fica se entusiasmando com as
possibilidades e escolhas que não dependem da gente. O famoso “SE” acontecesse
assim, ou “SE” o outro fizesse isso... E, na imensidão do mundo onde tudo pode
acontecer, inclusive, definitivamente não acontecer absolutamente nada, ainda
assim vale a busca. Então, o retorno, nada que o Nietzsche um dia não tenha
lembrado sobre o eterno, repete o seu ciclo. Encorajando quem o percebe indo e
voltando, a se perguntar, qual o padrão deste determinado movimento que escala
fora do meu controle, afinal, o que eu acho que domino e o que na verdade tem
me dominado? De repente, como uma luz no fim do túnel, surge à velha e boa consciência.
Depois de aparentemente anos luz de
velocidade no tempo em que pensamos milhares de coisas, voltamos para nós, e
sozinhos paramos e olhamos para trás. Lá no tempo em que você escolheu buscar
na memória, pode ter boas e más ações. E não resolveremos nossas angústias tão
facilmente, há um caminho incerto a se trilhar, talvez com sorte e virtude,
haja entre os diversos caminhos, o despertar para a consciência. Ali no caminho
do meio, haverá escolhas que se fez por padrão, por repetição e por simples
desejo de tentativa, mal sucedida na maioria dos casos, de esquecer.
Ao enraizar as crises que mal curamos dentro
de nós, sem querer e por muito inconsciente, acontece que criamos novas crises
nos outros. É como se o outro esperasse de nós o que não encontramos ainda em
nossa busca, e por tamanha esperança depositada em nós, entramos no jogo e
acreditamos poder dar o que em nós está em falta.
E o que seria se não o nosso tempo? O tempo
de poder olhar para si, nesse mesmo tempo que segundos detectam memórias que
classificamos e escolhemos estar condizentes com o que pensamos. É madrugada,
li algo importante num idioma estrangeiro, o texto foi bem escrito, na busca
por convencimento entregou no discurso exatamente o que um padrão de pensamento
ideológico queria. Um determinado jornal inglês, uma linha editorial específica,
e um tema ardiloso, falava de grupos e de uma guerra no Oriente Médio, e
defendia sua ideia de democracia, e chamava em seu título, o lugar do qual se
referia, como um Estado de perigo.
A deixa do poder e de suas variáveis de
controle fez-me sair da política do texto, e de uma análise central, para
reacender um debate aqui dentro. Até que ponto, temos deixado um script e certo
padrão editorial em nossas experiências, verdadeiramente tomar conta de nossas
ações? Se a ideia é olhar para trás e, não repetir os erros cometidos, então
porque repetimos o padrão e retornamos ao vazio? Embora, este texto seja
respaldado por leituras recentes de psicologia, não há como fugir da
literatura, da filosofia, ou da busca incessante de se conhecer. Ora, ora,
ora... Voltemos ao tempo. O tempo é de coragem para lidar com os riscos das
suas escolhas. Não é sobre o tempo dedicado ao outro, é sobre o tempo imprescindível
não dado a você. O precioso do tempo de estar buscando o que há de melhor aí
dentro, é exatamente ler e lidar com as frustrações. Chegou a hora de tirar as
crianças da sala.
