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Sunday, May 10, 2020

A boca não pode mais gritar sua tosse


A cabeça dói e o coração soa

Senão de calor que a boca precisa abafar

Talvez fosse de nó que a garganta vira a cabeça sentir.



Sentimento estranho o de soar não?

Tudo ao mesmo tempo em que parece molhar

É tudo que ao mesmo deve secar meu olhar.



Então são os olhos quem se esgotam de lágrimas

Eles pensam no coração que não mais soa de emoção

Mas de nó que não suporta mais a garganta secar.



A cabeça que traz os ouvidos no conjunto

Tenta lembrá-los que o cérebro está no comando

E que não há o que se preocupar enquanto sentido.



De todo modo alguns serão on e outros off

Porque parece o momento fazê-lo frágil

E por comportar-se fechada a boca não pode mais gritar sua tosse.



Cadê o remédio que não mais o daria fome

Onde foi parar o meu suor que escorria pela face

E que o espelho no chão se formava com diploma de lágrimas.



Não posso imaginar de quanta dor a cabeça precisa

Apenas desejo que o suor livre-me do nó que a boca acatou

E que o coração volte a pulsar em vez de tentar suar sua liberdade.



Milton Lima 10-05-2020

Tuesday, March 24, 2020

Poema: quem pescou no limite da inteligência artificial?


Convosco o limite da inteligência artificial: O Flâneur sai às ruas e sem máscara desnuda a máquina...


 Milton Lima 24-03-2020   



Convosco a rede que não parece pescar,

Que o deixou parecer à esperança em si de um bom dia,

A mesma que o perguntaria sem olhar na sua face: o que está pensando?

Que o esperava na falência de seus órgãos humanos.

Primeiro governamentais, depois àquela transvertida de imitação da arte,

Que se esforçaria de modo tão real: que o virtual substituiria o habitual sentimento.

Que se esvai pela rede na expressão das fagulhas sopradas sem ventos.

Longe da fé e na rotina das missas, eis que não mais, contar-se-iam às lágrimas,

Pois, não é mais permitido chorar seus mortos,

E se não fosse tal máscara de normal proibida, dir-se-ia que,

Tinha-nos esquecido nesta rede à medida da pena, que garantisse o direito de não sê-lo mais humano.


Chorar a todos os mortos remotamente por suas novas máquinas, assim nos deram os dados móveis,

E seu legado tão pobre que é tão rico,

Vir-se-ia o ser menos humano ser não capaz de pensar por si mesmo.

Ao fazê-lo ainda sem chip no corpo, se viu impresso em 3D numa pele que não habita seus ossos,

Percebendo-se no mundo do medo e trancafiado agora, vira todos os efeitos da desumanização,

Dos efêmeros traços que a rede aos pouco de ti consumira e que aos poucos lhe modificaria.

O que pode sentir no virtual mercado de agora?


Apenas soará as trombetas quando,

Chegar o aceite de tudo sem ter lido nada!

E quando o poder do azeite ungi-lo,

Daí saberá que hão de avaliá-lo e julgá-lo,

Se fora um bom avatar e se fizera do limite seu pescado no mar.

E os contos servir-nos-ão pra quê nestes momentos tão esdrúxulos?

Para retomar Baudelaire, e saber que as flores com amor conhecem o mal,

Para se encontrar um espinho no caminho, poder interpretá-lo além do mito.

Parar e perceber se tais máscaras se vendem e se hão de haver outras; é à hora de investigá-los,

Dever-se-á prestar atenção na rede, o que estão lhe vendendo é uma máquina de moer humano.

Para assim revisar o conto, que se transformara no jardim do jasmim,

Noutro ponto tecido, que encontrará um Benjamin.


Para retomar o limite deste legado que o encontro se faz necessário,

Tal encontro carece escancarar os cárceres das palavras presas,

Para libertar o que se é humano é preciso prender o que se apresentara como máquina.

A máquina de guerra que Deleuze avisou-nos, a qual vira o Humberto de tão eco se comprimir,

E quando no caminho há uma máquina totalitária a quem Benjamin viu com as flores nascer,

Eis que elas, as palavras presas apresentam-se ao nosso presente,

Para fazer-nos parar e indagar tudo o que brota agora: que limite requer-nos a máscara na guerra?

Seria o contente ato de manifestar apenas o direito em respirar o ser não doente?

A quem chorar os mortos vivos estes que são a nós presos e ocultados pela máquina?

Ainda teremos lágrimas?


Senão as palavras presas na poesia e na filosofia, quem nos despertará se a máscara não cair?

Voltemos ao limite que a guerra mental nos provoca com o vírus e o medo da morte.

E é obvio pra quem que o óbito do ser foi impresso pela máquina, como preparo e substância,

Que ao se propagar enquanto palavras cheias do imenso vazio,

Nesta multidão imatura e tampouco humana, O que é a vida agora? Grita o poeta e indaga,

Será mesmo o esquecimento da morte? Responda-me: Humanos ou máquinas?

Substituía-o, primeiro nos versos dos esquecidos poetas herdados do porão, e depois,

E depois, e depois, e depois, e depois... Tal máscara é seu sistema e seu próprio esfacelamento,

Que quer vê-lo pintado de humano, mas tendo como objetivo lembrá-lo que não pode mais sê-lo.


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