segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Artes da minha memória


Artes da minha memória



Pensando na vida: me pego avesso.

Pensando na arte: sou revolucionário.

Pensando em mim: o que sou na história?

Pensando no fim: não avisto o começo.

Pensando no encontro: permito-o no ensejo.



Na vida vejo-me no cotidiano – sou àquele formigueiro.

Em construção vejo a palavra – na caixa de areia.

Na/o estante uma língua pôs-se em movimento – uma linguagem loquaz.

E a sociedade que se forma: transformá-la-á longínqua minha memória.

A história que se lê não se aplica a qualquer época, pois houve um momento de guerra – mas que a máquina o substituiu – e como se fosse efêmera dispersou-se: transformou-se em desconhecida metamorfose de formigas.

** Léxico das formigas



Revolução é um contador de história – seus netos o chamam formigão. Na escrita: formigão conta a sua maior descendência – extinção – como o mundo esqueceu as formigas. Na vida: Revolução colecionou muitos amigos – alguns poetas, outros pintores, mas os mais próximos e com quem mantivera contato através de sons, chamava-os músicos. E a música que não recordara a letra, apenas o compositor – fora escrita com o nome de educação. Seu compositor Michel Montaigne: na prisão da minha memória ensina – o formigueiro se vê no ensaio.



Formigão com a educação: lembra em suas histórias – o fato do mundo não conhecer as formigas. Ao usar o compositor que lançou o ensaio; ensino aos meus netos – na dialética das formigas – como a guerra: se tornou barbárie e esquecimento.



Meninos e meninas prestem atenção no que o vovô vai dizer: artes da minha memória é a nossa história. No registro de nascimento trago, além da formação em Filosofia – a tradição da espécie formiga. O diploma – herança – que o mundo faz questão de apagar trouxera-nos pensamentos, assim o vovô lera com orgulho o seu nome na escola clássica das formigas: Revolução de Geração da Leitura dos Clássicos. 



Crianças podem fazer-me um favor – estou velho e este deve ser meu último escrito. Atenção à frase que li na década de 60. Escrevera Cacilda Buter “O mundo é dos jovens”. Prometam a seu avô, que não vão esquecer que o mundo é nosso, sim: das formigas. Quando meu primeiro filho nasceu, fiquei feliz, pois pandora sua mãe, não poderia ter lhe dado outro nome, assim o seu nome seguiu a tinta no papel – que gerou em ciclos todos vocês. Um nome lindo e ao mesmo tempo tão temeroso: Conhecimento de Geração da Leitura dos Clássicos. Entre milênios a música fez parte do cotidiano das formigas; meu filho como um bom historiador, trouxera-me tudo que havia de melhor e mais inacessível no mundo. Mas o fato de permitir-me a tantas e densas amizades, à memória sempre me prega um poema, como sabem, o avô aqui, têm dificuldades em lembrar-se de todos os nomes, por isso, de vez aparecerá na história algum acontecimento que circunda a arte: à revolução. Enfim, formigas: o que têm curiosidade e necessidade em saber – já estou pronto a responder. No entanto, só poderão expressar-se após um trecho de um poema – não sei se estou enganado, mas parece ser de um grande amigo do vovô – um comunista chileno e amigo de Picasso.



Por estar em outra língua, assim como não lembrara por completa a letra da música educação, aos seus netos fora negado este poema – meus netos: agora convosco o direito a palavra.

***Léxico acesso ao formigão



Vovô, entre tantos amigos que a nós – formigas – o mundo tende a controlar o acesso; minha mãe – comunicação – disse-me pela manhã: hoje tem artes da minha memória, filha vá ao encontro. Chegando lá: escute a história que meu pai há de contar.



Entre primos e filhos, às formigas da sua geração vovô, teve o papel importante de nos criar, porém o fardo que nos tem dado desde o seu filho; causa entre nós uma ruptura abrupta – o conhecimento não conhecera todas as formigas, e a extinção de nossa espécie é o fim do mundo. Sem muito tempo a contar-me história vovô, meu pai, Museu, sempre que pôde, falara de ti. Hoje sou uma formiga conhecida graças ao formigão – disse-me uma vez. Confesso-lhe que estava curiosa para conhecê-lo vovô. Mas na minha pequena história de formiga, não poderia de tanto em tanto interpelar-me sem que o visse na primeira palavra escrita da pequenina imaginação. Minha irmãzinha mal começara falar e soara aos ecos sonoros a palavra revolução. Também pequena me deitei na rede, e com a imaginação na minha cabeça pensei: revolução das formigas, pai do conhecimento, pois é revolução: de uma geração em extinção. Isso me intrigava! Minha primeira alteridade se recepciona na capacidade de entender meu sobrenome, pois me chamo: Flora de Geração da Leitura dos Clássicos.



Enquanto o formigão esquecera os poemas, fico procurando na memória, a tal letra, e não consigo encontrá-la, porque das formigas tiraram a educação? Vovô meus primos acreditam muito na falácia que é o consenso. Hoje lendo Michel Foucault e seguindo a tradição da família das formigas – ensinando Filosofia, lhe pergunto vovô onde foi parar a letra da educação?

****Léxico Geração



Receio decepcioná-la minha neta Flora. Mas mesmo correndo o risco de assim expô-la, devo defender meu filho – o conhecimento. Minha memória permite falhas, é bem verdade. Permite-me ser insone no mundo – que deixara a vossa geração um anseio pelo futuro; mas como bem lembrara minha neta, vossa herança é a extinção.



Uma geração que não sabe o que são. Defino em sua questão Flora, uma pequena passagem de um amigo – em um poema trocado entre nós na prisão.



Pensando na morte: sou encontro.

Pensando na cobiça: sinto-me preso.

Pensando na geração: sou luta.

Pensando na carta: sou o papel da tinta.

Pensando em escrever: vejo-me perdido.

Pensando em crescer: a vida é lida.



Se notar Flora, o poema habita minha memória. Pensando na sua geração, posso lhe garantir que a música educação existira. Fui contemplado em ouvi-la, mas agora entendo sua extinção – da música e também das formigas.



Como deve ter percebido minha neta, a vida de um velho e contador de história não é exata – começando pela minha memória. Mesmo assim, devo continuar escrevendo, e lendo, e o meu maior legado é fazer da vossa geração ler-me e mesmo na minha morte fazer-me viver. Pode pensar, mas quem? digo-lhe minha querida Flora, o ciclo da vida está no DNA das formigas. Rememorar essa nossa conversa um dia será o papel de seu pai – meu genro Museu.



Hoje sua geração, está como você vem ensinando com Foucault – na história da sexualidade. Portanto, em transição e por vê-la na extinção: esse nosso último diálogo há de servir de lição às próximas formigas. Você escolheu escutar artes da minha memória. Com quase 60 anos de vida – e escuta pela primeira vez minhas últimas palavras. Seu avô já é centenário. Sua mãe fez bem em enviá-la – cabe agora a ti viver sua história e contá-la: como não se esquecer das formigas.



Flora, minha neta, seu avô pretende deixar a resposta a sua indagação à própria vida responder. Ser formiga e ter o conhecimento, a comunicação, no acontecimento nuclear, faz de ti minha neta: uma espécie rara – em extinção. No entanto, também sou interpelado pela música que não recordo tão bem a letra, e se queres saber o porquê a ti fora negado a educação – vou procurar interpretá-la na guerra como subversão.



Na minha primeira aula Flora, na faculdade de Filosofia, a professora convidada, havia ganhado todos os prêmios acadêmicos das últimas décadas. E por isso fora convidada a proferir a aula inaugural – com o título: As formigas de hoje serão esquecidas amanhã.



Pensando nesta palestra vejo o quão ela é atual, e sua geração corre risco de extinção Flora – é a memória que se perde na prisão do esquecimento, citara a professora Ideologia na aula inaugural.

*****Léxico Formigão e sua neta



Pensando no fim: vivo a guerra.

Pensando a existência: sou absurdo.

Pensando potência: viro palavra.



Bem com a citação do poema que meu pai trocara com seu amigo na prisão, ainda procuro a letra da educação – acabara de ler em voz alta. Ao perceber a porta se abrir, e vê-la chegar, comunicação sorri e diz: Flora como foi lá? Pelo visto hoje realmente foi o último dia de artes da minha memória.



No meu pensamento abriga a prisão, poxa mãe, apenas isso – sei sobre a música educação. Está pequena frase, me deixara muito intrigada! O vovô disse que deixará a vida me ensinar, o porquê fora negada à minha geração a música completa da educação.



Flora querida, calma. Em algum momento seu avô falou de seu pai? Sim, mas o que isso quis dizer: eu não sei. Minha Filha, qual o legado da sua geração, o que é o acontecimento extinção?  Comunicação olha nos olhos da filha e é mais dura nas palavras: Menina você aprendeu alguma coisa?



Mãe seu pai é um poeta, um filósofo respeitado na história, mas como lhe disse: o vovô só disse defender o titio, que por sinal, pouco se houve falar hoje em dia – o conhecimento.



Na minha memória... Flora, qual o problema porque não termina a frase. Meu tio mamãe: estou pensando nele. Porque afinal, a nós fora ofertado o esquecimento? Ah, antes de responder-me, quero que saiba o que o vovô pediu para seus últimos contadores de história – sim, ele disse que: seríamos como ele, grandes contadores de histórias.



Hoje sou um centenário, mas a vós têm chegado apenas – que o mundo esquecera nossa espécie. Pude falar um pouco da grande Ideologia. A professora que ensinou a guerra, a professora que estudou a política e por fim a professora que sabia que seriam as formigas um dia esquecidas. Tenho uma sugestão a cada um de meus netos: procurem, mesmo que o mundo disser-lhes que está tudo perdido, procurem.  E foi assim que ele terminou sua fala: procurem.

******Léxico mãe e filha



Filha na verdade, o esquecimento é a ironia na vida sem memória. Seu tio costumara dizer: O mundo esqueceu as formigas.

Fim



Notas da filha da comunicação: à caçula.



Encontrei algumas folhas jogadas e empoeiradas na estante do hospital. A enfermeira me disse: sua irmã que fora extinta da espécie das formigas deixara em uma semente: artes da minha memória.  Chegara até o hospital sua herança – história de quem vive na prisão.



Encontro-as perdidas na guerra. E neste hospital a duvida persiste: quem fora a neta do Formigão – herdeira da revolução. Minha irmã Flora, mesmo sabendo que o mundo nos esquecera, ela não se cansou – e procurou-me até que leio no verso da primeira página as formigas procuram até mesmo a imaginação.



Em cada folha lida, olhava o mundo esquecido, e me via no terminal, no hospital, e minha memória vivia – sabia que no legado ainda havia a casa do papai Museu. Aos meus netos.

*Imaginação de Geração da Leitura dos Clássicos

Milton Lima 28-12-2016 *14h:08mnt


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