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Friday, August 1, 2025

A era de Trump não é zebra

 By Milton Lima

01-08-2025


Ouça o artigo.



Um giro pelo mundo nesse primeiro de agosto, antes de tudo, revelará que as notícias ainda que novas pareçam escalar as projeções e prognósticos que temos feito para quem acompanha esse espaço de reflexão, não tem tanta surpresa, salvo algumas exceções que começamos a discutir de antemão.

Vejam que o pouco que se fala na mídia hegemônica do ocorrido em Gaza na Palestina, por Israel e no âmbito de terror, quando vem a mídia se expressar, quase nunca o termo usado é o genocídio. Em alguns portais e jornais independentes usa-se a palavra correta, genocídio, para tratar o acontecimento. Portanto, ao findar o mês de julho e iniciar o mês de agosto, a novidade é por parte de alguns países europeus, como no caso da França e mais recente outro país da América do Norte, o Canadá, terem optado por reconhecer o Estado da Palestina como um país independente (que o farão oficialmente em setembro) e que essa seria a solução para o conflito no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos por sua vez usou suas redes sociais para comentar que, caso o Canadá faça o que declarou seu representante de governo, ele sofrerá sanções econômicas e mudanças nas relações comerciais.

BRASIL/ÍNDIA/IRÃ

Os jornais pelo mundo tratam das tarifas que os Estados Unidos lançaram contra o Brasil. A justificativa para a taxação se coloca no campo político e os argumentos utilizados remetem para defesa dos direitos humanos. Isso porque dizem que o presidente Jair Bolsonaro está sendo perseguido pela corte da Justiça brasileira, no caso por um juiz, Alexandre de Moraes. Esse é um argumento que os jornais noticiam o porque o país está sofrendo esse duro ataque em relação ao comércio com os norte-americanos. O que pouco se fala ou se lê por esses grandes jornais, é que se trata de um ataque aos BRICs e que o Brasil se tornou um país não grato desde a cúpula realizada no Rio de Janeiro - nos últimos dois meses, junho e julho. As notícias que relatam as palavras de Trump como vistas abaixo, mostram suas movimentações políticas, e um padrão pode ser identificado, quando ele fala da Rússia e da Índia, revelando que os países do BRICs realmente serão alvos de uma retórica agressiva por discursos do presidente. O conflito com o Irã passa por esse viés quando a Rússia poderia enviar aos iranianos armamentos sofisticados.

IMIGRAÇÃO

Fonte: Le Monde 01/08/2025

A notícia do jornal francês Le Monde nesse primeiro de agosto revela uma dura realidade para os milhares de presos nos centros de detenção dos Estados Unidos. Trata-se de pessoas que são consideradas perigosas ao Estado e para segurança pública. A denúncia parte de uma organização não governamental (ONG) e retrata que as condições por parte dos presos são precárias nesses lugares de detenção. Segundo a reportagem e dados fornecidos pela instituição dos 181 centros de detenção, 85 estão com números acima da sua capacidade. Outro dado revelado, é que 70% dos presos não têm qualquer antecedente criminal.

O nome de “Alligator Alcatraz” foi batizado para um lugar improvisado para receber esses imigrantes, de acordo com a reportagem, esse lugar a 70 km de Miami mantém milhares de detentos, num lugar que antes era reservado para jacarés. A política de expulsão de Donald Trump prevê até o final do ano de 2025, a estimativa de 100 mil presos. A ONG chama atenção que no mês de setembro 72 mil hondurenhos e 4 mil nicaraguenses que desde 1999 tinham proteção temporária deixaram de ter esse beneficio que se estende a 348 mil venezuelanos e 521 mil haitianos (Le Monde, 2025).

AS REGRAS DO JOGO DE TRUMP PARA O COMÉRCIO

Fonte: El Pais, 01/08/2025.


O mapa acima exemplifica as novas regras do jogo impostas por Trump. A taxa comercial cobrada aos países que negociam com os Estados Unidos passou a ser cobrada nesse primeiro dia de agosto de 2025.

De acordo com a reportagem de Iker Seisdedos para o El Pais, a partir desta data o mundo respira uma nova era. A era das taxas comerciais nunca vistas antes propostas pelo presidente norte-americano. A chamada guerra comercial teve em seus primeiros momentos um inimigo declarado asiático, trata-se do embate com a China, mas esse inimigo econômico e que disputa a hegemonia da tecnologia com os Estados Unidos, foi deixado de lado por uma visão do mundo globalizado. A guerra comercial passou a marcar nos noticiários a temperatura do comércio mundial com as novas regras impostas por Donald Trump.






A lista de países (34 sócios comerciais) que são sujeitos às taxas a partir de agosto se concentra em dezenas de países incluindo: Reino Unido, Vietnam, Japão, Filipinas, Coréia do Sul e Paquistão. Essa lista é completada com 27 membros da União Européia (El Pais, 2025).

Entre os países citados pela matéria, China e México continuam em negociação com os norte-americanos. O Brasil é o país que recebe a maior taxação, 50% para a nova regra de Trump.

A nova era amaldiçoada para América Latina

Die neue Fluchbewegung aus Lateinamerika a tradução livre para a matéria publicada pelo jornal alemão Die Welt (O Mundo) remete a questão migratória e aponta para uma fuga dos latino-americanos para Europa, uma vez que as fronteiras com os USA foram fechadas.

Die USA haben ihre Südgrenze abgeriegelt. Doch Unfreiheit und Armut der Linksdiktaturen treibt weiter Millionen Menschen in die Flucht - nun Richtung Europa Nas palavras novamente em tradução livre, a reportagem remonta que tanto a pobreza quanto as ditaduras provocadas pelas esquerdas são responsáveis por levarem milhões de pessoas a fugirem destes países. A reportagem lança mão do gráfico abaixo.

Fonte: Die Welt 01/08/2025

Ao citar nomeadamente Cuba, Venezuela e Nicarágua, o material publicado pelo jornal alemão credita o fator da imigração em massa para os países vizinhos da América Latina, quando não aos Estados Unidos, pela busca clara de fugir do socialismo destes países.

O que a reportagem traça em sua linha de raciocínio é que a política migratória que Donald Trump adotou por fechar as fronteiras dos Estados Unidos para esses imigrantes, não fez que tais pessoas desistissem do sonho de buscar uma vida melhor longe daquelas ditaduras onde eram conduzidos por uma violência estatal e que a democracia com eleições livres seria impensável. Corrupção e hiperinflação são temas ligados aos governos socialistas e a demonização da esquerda fica evidente pela matéria.

Por último a matéria considera o governo de Gustavo Petro na Colômbia forçar a mudança dos imigrantes. Dados como uma grande quantidade de colombianos mudando para a Espanha (aproximadamente 107 mil pessoas) remete a preocupação da matéria com respeito aos imigrantes fugindo de governos de esquerda na América Latina. Até o governo de esquerda assumir o poder da Colômbia, o seu povo vivia com esperança, essa é a opinião do artigo.

Considerações finais

Realmente o mês de agosto mostra uma tendência que já havia considerado no final do ano passado, antes mesmo do início do novo governo de Trump. A extrema-direita ganha cada vez mais força nos meios internacionais, a submissão do parlamento europeu e nítida tendência a ir para guerra contra a Rússia, não só ficam claras com o aceite as negociações de compras de armamentos dos Estados Unidos como do pagamento de cerca de 300% a mais por energia, quebra principalmente a economia da Alemanha que era o motor industrial da Europa. A guerra na Ucrânia e o boicote ao Nord Stream 2 (Gasoduto que fornecia aproximadamente 110 bilhões de metros cúbicos por anopara Alemanha), aceleraram a guerra híbrida na Alemanha, e os interesses do jogo político parece ser a manutenção da vassalagem por parte dos políticos europeus aos interesses norte-americanos.

Quando o tema se trata dos BRICs, a questão ganha outra dimensão. O tema envolve articulação política e desenvolvimento estratégico para movimentação de milhões de empregos em países cuja dimensão socioeconômica não é discutida, por exemplo, na África. O Brasil como se tem notado com a taxação é governado por um governo de esquerda. Lula ao visitar Cristina na Argentina não imaginava que sua declaração à condição enfrentada pela política à perseguição política, e sua prisão ser algo planejado para tirá-la do jogo, não contava com a resposta vinda de Trump. Trump na oportunidade que teve de lançar uma ofensiva contra o governo do petista no Brasil, usou quase da mesma lógica de Lula, e defendeu seu colega da extrema-direita brasileira, Jair Bolsonaro de ser vítima de perseguição política.

Esse primeiro de agosto começa movimentado e a tendência é se manter assim nos próximos 4 meses que restam para o ano de 2025 terminar. À primeira vista os fatos levam a crer que a estratégia de Trump em governar pela defesa dos seus interesses políticos, a priori tem surtido efeito e que esse jogo político internacional está apenas engrossando o caldo numa lógica hobbesiana. Por último, mas não menos importante, a surpresa da matéria publicada pelo jornal, O Mundo, na Alemanha demonstra que a guerra de narrativa ainda nos discursos políticos continua em alta, e considerando que grande parte da população consome apenas esses grandes meio de comunicação, pode-se concluir que a opinião formada por grande parte dos grandes jornais defende um interesse de classe evidente, ou seja, uma elite que defende a financeirização, que aposta na especulação, e que com o sistema de juros e taxas de seus grandes bancos, temem perder esse lugar. No entanto, a grande transformação está em curso queira eles aceitar ou não, a mudança tem nome e rota, e o partido comunista pouco atacado que lidera o desenvolvimento da China, tende a mostrar que o socialismo com características chinesa, merece ser muito mais estudado e divulgado para um debate no mínimo justo. Assim as leituras e discursos continuam produzindo fantasias sobre o comunismo e escondendo as mazelas dos fascismos em voga por todos os cantos do globo. Não existem inocentes que defendam o que acontece em Israel para o tratamento ao povo palestino. Os governos de extrema-direita estão no poder e suas políticas estão sendo escritas nos livros de história, pena que muitos jornalistas com o papel e poder de alcance de grandes massas, não ajudam a pensarmos esses governos e suas políticas contra um inimigo comum, ou seja, todos que são contrários as ideias destes governos, podem ser eliminados. A pergunta que fica como reflexão é: seria essa democracia com esses governos de extrema-direita a guardiã da liberdade? De qual ditadura esses senhores estão falando mesmo? Pensar continua sendo uma arma que jamais devemos abrir mão de buscar.

Wednesday, July 2, 2025

As notícias que eu li nos meses de maio e junho

 By Milton Lima

02-07-2025



As notícias que eu li nos últimos 45 dias, podem jogar luz ao novo modo de operar dos gigantes jogadores da geopolítica. Se eu dissesse há 45 dias atrás que o mundo poderia presenciar um conflito nuclear entre Índia e Paquistão, seria uma loucura. Pois, nos últimos dias de junho essas notícias realmente ficaram na pauta. Agora me coloca uma pulga atrás da orelha a forma de Trump buscar ser o senhor da paz.

Antes de retomar o conflito que desde 2023 atravessa as fronteiras entre Rússia e Ucrânia, cujo nome correto foi dado pelos russos de operação especial, e não de guerra, como por muito foi noticiado, é preciso contextualizar o cenário do tempo. Em disputa por uma MAGA, que significa em inglês, Faça a América Grande Novamente, a retórica de Trump foi lutar por uma guerra interna em seu país. O que culminou nos seus primeiros 60 dias de mandato a maior controvérsia da história ocidental, ele resolveria taxar seus parceiros comerciais, principalmente o Canadá e o México (com menos relevância para as exportações norte-americanas), mas com força total a seu maior inimigo econômico em disputa hegemônica, que é a China.

Como Trump buscaria a paz no Oriente Médio, se a guerra poderia ser interessante para os interesses de seu governo, essa era uma questão posta no que eu lia. Lembrando da Ucrânia, onde o presidente norte-americano vetou novas armas para o conflito, e já pensava em costurar um acordo em que os ucranianos deveriam pagar os custos do investimento dos Estados Unidos com recursos naturais raros. Não demorou muito, e no meio de tudo isso houve a briga entre os presidentes, da Ucrânia e dos Estados Unidos. Quem apareceu como uma possível conselheira europeia com a missão de aproximá-los (os presidentes), foi a líder do governo italiano, Meloni. Pouco tempo depois houve as negociações no palácio oval, e a decisão foi por congelar por meses a cobrança de taxas de importações do Canadá e México. Nesse tempo morreu o Papa Francisco. No velório estava Meloni novamente articulando um encontro entre os presidentes para tentar um acordo. O fim da Guerra na Ucrânia era a grande questão para Trump nos últimos 45 dias.

OS BRICs na História

Se eu dissesse há 45 dias atrás que a Rússia, que estava pronta para negociar na Turquia os termos para finalizar a guerra na Ucrânia, seria surpreendida com ataques de drones e seria notícia no mundo todo, jamais alguém acreditaria. Ou seja, a dinâmica muda. O que ficou claro para os russos e o que todos temiam era, quem deu a ordem? Os russos queriam entender se Trump havia autorizado ou sabia do planejamento deste ataque. No entanto, os russos chegaram a conclusão que Trump realmente não sabia. E a pergunta foi, se ele não deu a ordem, quem deu? Os especialistas em guerra, comentaram que apenas a inteligência britânica poderia ter auxiliado o ataque. Eles quebrariam a primeira parte do acordo de cavaleiros no tratado atômico, uma vez que usaram dados via satélite para o ataque.

A partir de uma narrativa de interesse na melhor estratégia, havia acontecido poucos dias antes a comemoração do grande dia da vitória russa contra o nazismo. Um desfile acontecia para mostrar o poder militar russo, e diversos líderes de países do mundo todo estavam presentes. Depois dos ataques as bases russas, ninguém sabia o que aconteceria e qual seria a resposta de Putin.

Então a notícia sobre a melhor estratégia não vem apenas do lado de Putin, mas também do lado que se sente ameaçado e usa exatamente a guerra na Ucrânia para alimentar tal ameaça, isto é, os líderes europeus. Alemanha e o parlamento europeu lutariam aí, é bom redimensionar o tempo, e indicar mais ou menos 7 meses, para aprovarem um novo orçamento de defesa, e a justificativa era o perigo da Rússia. O mundo bélico e a ameaça de guerra tomava conta das notícias em grandes jornais. As notícias indicavam que o investimento em armas deveria ser prioridade para a Europa. E o planejamento foi intensificado nos últimos 45 dias, de acordo com minha leitura pelos jornais ao redor do mundo.

O Irã entra na história com a mesma lógica com a qual caiu o regime da Síria. O ator novamente era Israel, e para entender esse conflito, no mínimo é preciso querer ler a história do islamismo e não apenas acreditar no que é contado pelo mainstream. Tem pipocado notícias que o Irã está perto de construir sua bomba atômica, sendo capaz de ter o enriquecimento de 60% do urânio. A história desta narrativa também é muito peculiar e traz outras dimensões, o fato é que, o Irã surpreendeu Israel, após o ataque a suas três usinas termonucleares pelos Estados Unidos há cerca de 10 dias. Ainda segue fresco nas notícias os B2 que foram usados e o seu verdadeiro estrago nas instalações iranianas. Porém, o que ficou claro nesse tempo, entre os jogadores, foi a tentativa de dominar e levar a queda do regime no poder do Irã; no momento a estratégia do ataque pelo ocidente não foi bem sucedida.

Os BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China (e diversos outros parceiros), buscam uma nova configuração (leia esse artigo também) e a tentativa de desestabilizar o Irã faz parte de enfraquecer os BRICs. Isso pouco se comenta nos grandes jornais.

Considerações e o mês de julho

Aconteceu nos últimos dias de junho um encontro no qual Trump foi o destaque na OTAN. Nos países baixos o presidente norte-americano foi descrito por grandes jornais com a frase: “o papai Trump”. Não me deslumbra o fato de não ter o bem-vindo desde o início da frase, e isso traria outras questões com o império que agora, não é possível descrever. Porém, o circulo londrino e grande parte da elite conhecida por estado profundo não está muito feliz com o governo Trump. Pode ter sido uma pressão deste nível que o levou ao ataque as instalações do Irã. Ao que parece Trump, como empresário e bilionário enxerga tudo como um negócio, e ele joga o jogo tanto na retórica quanto na ação. O que deve acontecer nos próximos meses é uma forte guerra contra as notícias falsas, e quem pretende ditar o que é verdade todos os mais estudiosos sabem, os donos da verdade, descubram o porquê da desvalorização da educação, e então, obterão a resposta.  

 

Friday, January 24, 2025

As notícias que eu li na terceira semana de janeiro de 2025

 By Milton Lima

24 de janeiro de 2025



As escritas da minha manhã tendem a ser de rascunhos, e por hora eu as compartilho por fragmentos de leituras que eu fiz durante a semana. Desta vez a 3ª semana do que eu li no mês de janeiro está pautada por notícias que vem da Índia, Itália e França. O processo pelo qual faço a escolha do que espero informar, tem dois aspectos fundamentais que acompanham as postagens desta natureza. O primeiro aspecto é o que as imagens mostram e porque elas devem estar no texto e o segundo aspecto é o porquê mesmo em outros idiomas as notícias conversam entre si. Embora não seja muito formal explicar o caminho da escrita e sua escolha, vejo que é fundamental criar um espaço de reflexão com o público que chegou aqui.

Começando pela filosofia, é muito bom reler os grandes inspiradores de reflexão do nosso tempo, e sem a menor via de dúvidas Giorgio Agamben nos seus últimos três textos foi quem inspirou o meu retorno às leituras mais próximas no idioma italiano. Ele escreveu sobre bem e mal, república e conjuntura, além do último texto do ano de 2024, sobre o qual, trata do trabalho e da vida[1].

A honestidade intelectual faz muita diferença na construção das narrativas. Para o exercício da leitura crítica, e para poder informar o seu olhar diante a tantas notícias, vale sempre o bom senso de informar o recorte temporal do que estamos tratando. Por isso, ainda que em alguns destes fragmentos de leituras, tanto na França quanto na Itália, os jornais e revistas que eu li[2], terem abordado algumas notícias sobre o imperialismo 2.0 de Trump (USA), não devo focar no presidente recém eleito e empossado, para isso podem ler a série que escrevi aqui (sendo a terceira parte prevista para o último dia do mês de janeiro).


Itália



A verdade que muitos estão compartilhando é que o mundo já não é mais suportável. Essa visão bem pessimista da história do nosso tempo pode ser retratada pela alegoria de Platão. Mas, por falar em verdade, o que dizer do bem e do mal deste tempo, o que dizer da vida e do trabalho, e da conjuntura e república? Bem, primeiro devemos nos concentrar no que sabemos sobre nos mesmos, no que importa de verdade para nós e assim mantermos o bom senso.

Voltar à filosofia, para ser mais específico aos gregos, é um exercício que tenho feito com freqüência. E, por quase não expressar os desafios que lemos nas entrelinhas do mundo cada vez mais internado no espectro das big-techs, precisamos começar nossa conversa pela arte. A estética, a beleza, o mundo moderno em suas janelas sob medidas dos julgamentos sociais em redes conectadas, faz deste texto semanal um tanto diferente e reflexivo, dos outros, com um teor mais divulgativo. Antes que possa causar confusão, refiro-me aos textos com esse informe de leituras que eu li no mês de janeiro de 2025. Dado as devidas justificativas, vamos ao museu e depois paulatinamente podemos compreender o que Platão tem me instigado pensar.

O museu de arte moderna inaugurado em 1984 na Itália, fez dos 40 anos completos em 2024 um diálogo inédito entre a obra moderna e a arquitetura barroca. Estou me referindo ao Castelo di Rivoli (Torino) que traz como chamada na revista Bell’Italia um convite ao Castelo Incantato para este começo de ano de 2025. Em Milano, o destaque fica com o Museocity em sua nona edição, tal coleção promete diversas surpresas com obras inéditas para o público.

Na região de Siena em Toscana, o ano conta com a reabertura do museu de San Gimignano em Santa Chiara. Não faltam belas artes reproduzidas pela revista, e após algumas imagens já vistas no corpo deste texto, podemos continuar a nossa reflexão que sugiro começarmos de acordo com o filósofo italiano Giorgio Aganbem, a partir do “Estado de administração e o Estado de segurança”.



O filósofo italiano faz de sua reflexão sobre o bem e mal uma referência à inteligência artificial, da qual eu faço coro, quando pergunta se poderia a inteligência artificial substituir o intelecto do ser pensante, ou, o objetivo desta camada distribuída entre nós seria coisificar o bem para determinada personificação do bem estar tecnológico do nosso tempo?

A relação da arte e da cultura, da música, da literatura, encontra-se perdida nas redes sociais. E o fato de os museus na Itália abrigarem tantas obras e discussões que por vezes mal sabemos que existem, tem relação direta com o próximo tema lido e comentado a seguir na revista Internazionale. Que vai ao encontro com o Estado e a Segurança anteriormente levantados para a discussão.

Se por um lado os museus e as artes podem ser encontrados em diversos lugares do mundo, e as pessoas podem ter acesso a estes espaços, por outro lado estamos lidando com a inteligência artificial; com a privatização do tempo, que segundo uma reportagem da Internazionale, os norte-americanos passam cerca de, 19 horas ligados na TV. O que segundo a mesma foi aumentando progressivamente desde o final da pandemia. O contexto vale para diminuição da sociabilidade, como conversas em bares e restaurantes, substituídas por mensagens instantâneas.

França

O famigerado fórum econômico mundial (propositalmente em letras minúsculas) em Davos chama nossa atenção para nova e melhor forma de organização do trabalho: “Avec I’inlligence artificielle, l’organisation du travail doit êthre repensée”. O entrevistado pelo jornal Le Temps, o diretor geral do grupo Adecco, Denis Machuel, em diversas partes da entrevista ressalta a importância da tecnologia para sua empresa. Desde a escolha para publicação de anúncio da empresa até a contratação de funcionários, “Cela nous aide à faire lês choses plus rapidement, plus précisément, mais il y toujours um humain dans lê cycle de décision”.

Já no jornal Le nouvel Economiste a Inteligência Artificial (AI) ganha tanta importância quanto à mesma dada para o uso da água e da própria eletricidade. Isso não é imaginável no título do texto “Pour une IA competitive de la France et L’Europe”. A correspondente que escreveu o texto, em Libre Opinion, Anne Sophie Bordry destacou que ocorrerá em Paris no mês de fevereiro (6-11) de 2025 um encontro mundial “pour I’Action sur L’IA”. Chama os parlamentares franceses para participar do encontro. A ideia é conceder ao público do encontro, inclusive os parlamentares, uma visão de economia globalizada com ética e responsabilidade com a Inteligência Artificial, diz a matéria.

Índia

Na Índia o texto que eu destaco da revista The Week, é sobre as mães fundadoras da constituição. No processo de comemoração de 75 anos da república, o destaque do texto foi proeminente para memória e conhecimento histórico da história da república. Com toda certeza “Founding Mothers of the Constitution” ganha maior destaque ao trazer pelo menos 50 nomes de mulheres que foram importantes pela luta dos direitos feministas no país.

Entre os destaques da matéria está a primeira mulher a presidir a Constituent Assembly, Dakshayini Velayudhan.

Notas das leituras

Havia alguns temas que eu gostaria de ter abordado, que eu li em todos os materiais citados, no entanto, resolvi escalar e deixá-los para outro momento. São temas, a religião e a guerra (de alguma maneira está inclusa, pelo menos em parte, no último texto que devo escrever no início de fevereiro sobre a Palestina) e a nova era de ouro estampada pelo nem tão novo assim presidente norte-americano, Donald Trump. Mas conforme explicado, eu os retomarei em breve.

Se buscarmos na filosofia ou na nossa história recente da humanidade, a quantidade de informação que nos chega o tempo todo e a todo o momento, seja no computador, no celular, na televisão ou no rádio, não teremos precedentes. E, entre o poder e o trabalho, a leitura, ou mesmo o olhar global do mundo interconectado até a construção de que fazemos do mundo ao nosso redor há uma escala que a filosofia ajuda entendermos na arte da guerra.

Ainda que houvesse notícias da China para eu comentar, deixo-as para o último texto desta série, do que eu li em janeiro.

Mesmo não escrevendo sobre a China, é impossível não associar tecnologia (principalmente 5g) e Inteligência Artificial ao país oriental. E, a Ásia como um todo, ganhará espaço quando eu for tratar dos BRICS, em breve devo escrever algo sobre isso. De fato a arte da guerra é um dos livros mais lidos para entender o poder militar. E o texto de Agamben sobre o bem e o mal, poderia ser ligado aos textos lidos e comentados, na Itália, França e Índia. E de forma sucinta relembro o cuidado que devemos tomar com o poder político e de quem tem o acesso às ferramentas de controle. A ideia de democracia e república que vem do texto da Índia, pode ser muito complexa, tanto que volta ao que os cientistas políticos chamam por a ciência do poder. O chamado da França para AI, também é algo para pensar nesse ano, ética e responsabilidade no poder de quem mandam e obedecem quem tem juízo, terá para além da França a Europa um experimento de quem manda, caso Trump cumpra suas promessas. E voltando do início, a arte que os museus convidam na Itália é muito necessária para o nosso tempo. Vale a pergunta: o que lemos se nós somos o que comemos? O que somos se não reflete o que estamos fazendo da nossa história? A narrativa é construída, e parece que retornamos a caverna.





[2] Bell’italia (editoriale Giorgio Mondadori); Internazionale; Le Temps; Le nouvel Economiste; The Week (Republic Day, Special).  

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